Viagem no tempo pelas aldeias históricas portuguesas

Um passeio demorado por espaços pitorescos e com um valioso património. Uma sugestão para descobrir Portugal. 



Uma aldeia na serra do Açor que mais parece um presépio  Piódão surpreende na encosta da serra do Açor. Nesta aldeia do concelho de Arganil, distrito de Coimbra, residiam em 2011 apenas 178 pessoas, em regime de permanência. Atualmente serão menos. As casas possuem as tradicionais paredes de xisto, tecto coberto com lajes e portas e janelas de madeira pintadas de azul. O aspeto que a luz artificial lhe confere, durante a noite, em conjugação com a disposição das casas, faz com que receba a chancela de ‘aldeia-presépio’. Esta aldeia está classificada como Imóvel de Interesse Público e é muito procurada pelos amantes do turismo rural. Ali pode alugar uma casa para desfrutar de alguns dias num ambiente de profunda ruralidade. Passar uma noite de inverno no Piódão, com chuva e trovoada, é uma das melhores experiências que se pode ter. Terra onde cristãos e judeus conviveram em harmonia   A vida em trancoso passa-se no interior da cerca muralhada, que começou a ser construída no século XII, mas que, mais tarde, viria a ser ampliada pelos reis D. Afonso III e D. Dinis. Trancoso, sede de concelho do distrito da Guarda, onde residem 9800 pessoas, é conhecido por ser um burgo onde durante muitos anos conviveram cristãos e judeus em harmonia. Foi terra de fronteira, palco de diversas lutas e batalhas marcantes para a formação e independência do reino. Pelas ruelas do interior da cerca ainda hoje podemos ‘beber’ usos e costumes de outros tempos. O património arquitetónico e religioso é o principal fator que faz da cidade uma das localidades do Interior mais procuradas pelos turistas. No largo do município ergue-se a estátua do Bandarra.   Pelos caminhos de um cenário de outros tempos   Localizada no cimo de um monte no concelho de Meda, Marialva transporta-nos para os tempos mais profundos da história do nosso país. Em 2011 eram 255 os habitantes que davam vida a uma terra que conserva o perfil de uma cidade romana. Ao entrar em Marialva ficamos com a sensação de que entramos num cenário histórico. As ruas estreitas e acolhedoras separam edifícios resistentes ao tempo. A cidadela está cercada pelas muralhas. No interior, destacam-se a praça assinalada pelo pelourinho e pelo edifício da antiga casa da câmara, o tribunal e a cadeia. Não muito longe dali podemos visitar a torre de menagem, a igreja de Santiago, com o seu tecto pintado, e a capela da Misericórdia. Marialva mostra-nos os tesouros que ajudam a perceber o passado. Povoado que é um anel de pedra a 700 metros de altitude É considerada uma das aldeias mais belas de Portugal. Sortelha apenas consegue cativar a presença de cerca de quatro centenas de habitantes, mas quem ali habita pode dizer que todos dias faz história em manter a vida num sítio tão bonito.


Esta aldeia do concelho do Sabugal tem mantido a sua fisionomia urbana e arquitetónica inalterada até hoje. É dos povoados mais antigos e, também, dos mais bem conservados. Localizada a 700 metros de altitude e com a linha do horizonte a muitos quilómetros de distância, Sortelha é conhecida por ter a forma de um anel gigante. Ponto prévio para quem quiser visitar Sortelha como deve ser: não ter vertigens, pois é necessário subir e descer escadas que mais parecem muros. A visita pelas ruas e vielas do centro da aldeia, enclausuradas por um anel defensivo e vigiadas por um castelo do século XIII, possibilita ao visitante recuar no tempo até há muitos séculos atrás, entre as sepulturas medievais, junto ao pelourinho manuelino ou à igreja de estilo renascentista.  Granito é quem mais ordena  O granito é a imagem de marca de Castelo Novo, aldeia localizada na serra da Gardunha, no Fundão. Inserida numa paisagem que mais parece um anfiteatro natural, em tons de verde e cinza, a aldeia é um povoado habitado por cerca de quatro dezenas de pessoas - segundo o Censos, eram 406 em 2011. Ali pode-se ouvir o som da água que brota das fontes e dos chafarizes espalhados pela localidade. Do castelo só resta uma torre quadrangular, que foi aproveitada para edificar um campanário, que se pode observar sensivelmente sobre a torre. Outro ponto de interesse é o cruzeiro edificado em 1940 para comemoração do III centenário da Restauração e o VII da independência nacional. Um museu a céu aberto  Em 2011 viviam 87 pessoas nesta aldeia localizada na margem esquerda do rio Coa, concelho de Almeida. Hoje serão menos. Muito perto da linha fronteiriça com Espanha, Castelo Mendo, uma aldeia que preserva muitas características da época medieval, é constituída por dois núcleos muralhados: a Cidadela e a Barbacã. A história de Castelo Mendo é riquíssima: foi cabeça de um concelho de grande importância, que dominava uma vasta área. O poder de outrora está bem representado na atual povoação. Toda ela é uma fortaleza e um museu a céu aberto. Pode-se visitar várias casas quinhentistas e outras de estilo manuelino. Os habitantes dedicam-se à agricultura e à pecuária.  Recheada com testemunhos da presença de cristãos-novos As velhas muralhas, as ruínas do palácio de Cristóvão de Moura, o pelourinho quinhentista, a igreja matriz e a cisterna medieval são testemunhos evidentes da presença de uma importante comunidade de cristãos-novos em Castelo Rodrigo, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. Também muito perto da fronteira e com cerca de cinco centenas de habitantes, esta aldeia histórica destaca-se pela sua monumentalidade da época medieval. A visita ao palácio de Cristóvão de Moura, de preferência ao pôr do sol, é obrigatória, assim como à judiaria, localizada dentro das muralhas da antiga vila nas ruas da sinagoga e do Páteo do Concelho. A torre de menagem, mandada edificar por D. Dinis, e a casa da Misericórdia são pontos de interesse. Forte presença judaica Terra natal de Pedro Álvares Cabral, Belmonte é também conhecida por ser uma localidade com uma grande comunidade judaica e ostentar vários testemunhos do judaísmo. Diz a tradição que o nome de Belmonte se deve à zona onde está localizada: monte belo ou belo monte. Trata-se da sede de um concelho  carregado de história, onde residem 6800 habitantes. No topo ergue-se um castelo. O Museu Judaico, dos Descobrimentos e a sinagoga são de visita obrigatória.  Aldeia portuguesa com toda a certeza   Monsanto carrega nos tempos modernos dois títulos: o de aldeia mais portuguesa de Portugal, que lhe foi atribuído em 1938, e o de aldeia histórica, em 1995. Com 829 habitantes, de acordo com o Censos de 2011, está localizada numa zona cimeira que se vê de muito longe, do território nacional e também de Espanha. As casas construídas em granito, sobre e ao lado de enormes pedregulhos, concedem-lhe um aspeto único. Estende-se sobre a encosta numa sucessão de casas, separadas por ruas estreitas. Visite a igreja matriz, com fachada do século XVIII e cuja construção data do século XV. Na rua da Capela situa-se a antiga adega e a Pousada de Monsanto, de onde se pode seguir para o largo do Pelourinho e o largo da Misericórdia. É lá que se encontra a antiga capela do Socorro.  Estrela dentro da muralha   Quem olhar para almeida do ar vai ver uma estrela estatelada no chão. Protegida por uma imponente muralha, que há muito tempo representou uma importante estrutura de defesa do País, Almeida, hoje com 1300 habitantes, assume-se como uma fortaleza da zona raiana.


Passear pelas ruas é voltar à época da reconquista. Pode-se visitar as casamatas - compartimentos abobadados com cobertura megalítica, onde a população se refugiava -, a igreja da Misericórdia e o Palácio da Vedoria. Em agosto comemora-se a Batalha do Bussaco, uma das batalhas mais duras entre o Exército português e as tropas de Napoleão. O confronto ocorreu em 1810 e ficou conhecido como o Cerco de Almeida.  Baluarte no sopé da serra Linhares da beira é o exemplo paradigmático da desertificação que ataca as aldeias há várias décadas. Conhecida como a ‘capital do parapente’ em Portugal, devido à sua localização, num sopé da serra da Estrela, em 1849 contava com 7079 habitantes. O Censos de 2011 apenas registou 259 pessoas a viver nesta aldeia do concelho de Celorico da Beira. O castelo é o grande baluarte da localidade: integrado no sistema defensivo beirão, foi construído a mais de 800 metros de altitude, num terreno desnivelado e rochoso. Apresenta dois recintos muralhados, duas torres, quatro portas e duas cisternas. Os solares recuperados e as igrejas que remontam aos séculos XII e XIV merecem uma visita.   Pitoresca de origem romana   Com um património arqueológico de grande valor e muito procurado, Idanha-a- -Velha é a que está mais despovoada desta dúzia com o título de aldeia histórica - em 2011 residiam ali 63 pessoas. Hoje, talvez sejam menos. Esta pitoresca aldeia conserva uma  colecção epigráfica no quintal do antigo lagar de azeite na parte sudoeste. Fora do povoado, pode-se apreciar uma ponte dos primórdios dos tempos romanos e passear pelo sinuoso rio Pônsul. O posto de turismo está num antigo lagar.

Fontes: http://www.cmjornal.pt/cm-ao-minuto/detalhe/viagem-no-tempo-pelas-aldeias-historicas-portuguesas

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